segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Derreter

Nos seus olhos eu vejo um pedaço do meu céu. No beijo, o encaixe e o mergulho profundo de nós. No cheiro, o desejo eterno dos corpos. Nos braços, um leito. No peito, um amor ideal. Nossos planos na areia, numa casa de sal, com gostinho de calor de verão intenso, imenso balanço infinito a dois. No telhado nos amamos e nossas almas, refletindo a lua, se uniram num outono denso de brisa fresca acalentando nossos esforços em fazer dos nossos corpos um só. Mas o dia amanheceu trazendo consigo a luz que já me mostrava outro verão em seus olhos marcados, ainda belos, porém manchados de uma nuvem escura e repentina. Seus belos contornos parecem profundos, o que havia naquelas feições? O que eu via naquelas manhãs? E no outono novo, as folhas cairam no chão. Naqueles beijos, rotina. Naquele rosto, defeitos. Naqueles braços, incômodo. Naqueles corpos, quietude. Naquele leito, um casal se desfaz.

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