segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Pé ante pé

Todos corriam um risco enorme de nunca se mover em direção alguma. Mas de vez em quando, em diferentes intervalos de tempo, davam um ou dois passos, preferencialmente adiante, mas nem sempre. Alguns andavam em círculos, outros teimavam em dar uns passos para o lado por medo de saber o que encontrariam mais à frente. Mas a grande maioria simplesmente não sabia para onde ir. Eu tenho 23 anos, eu tenho que fazer algum sentido para o mundo- dizia a menina aflita, caminhando decida, mas nem sempre consciente do destino final. A estrada é quase sempre longa e perigosa, tentadora, mas não importam os perigos, nem importa aonde vamos encontrar o fim, a estrada foi feita pra ser desvendada.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

É que eu não sei por quantos corpos você percorreu
E quantas bocas já te provaram
De quantos olhos você já bebeu?
Quantas estradas te caminharam?
O que é que te faz me querer degustar?
O que é que de mim te reverbera?
E por que você me quer mergulhar?
Minha pele se entrega sincera
Pra deitar breve em sua cama
A parte de mim que é sua
É o que de mim te inflama
A parte de mim que é nua, é sua

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Principalmente o que falta

E dentro dela morava um buraco enorme e ela passaria o resto da vida tentando preenchê-lo. Havia uma ausência permanente de não se sabe o que. Ela tinha tudo, família, dinheiro, faltava um pedaço de algo que movia a menina numa direção desconhecida. No fundo ela precisava desse vazio pra se mover, para continuar caminhando, ela nunca poderia de fato se sentir preenchida, morreria. Morreria porque dentro dela, não estaria faltando mais, não haveria mais nada para buscar nos vazios de outras pessoas, nas infinitas esquinas do mundo. Ela era frágil, era só alguém aparecer na janela, que ela descia as escadas correndo, ansiando descobrir quais eram as cores indispensáveis para as suas retinas. "Está tudo bem?", perguntavam... "Está, mas..." sempre havia um porém. Era a presença dessa ausência estranha, angustiante muitas vezes, deliciosa outras vezes. Ela teria que se acostumar a buscar a si mesma mundo a fora.