segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Vermelho

Ela se deita no sofá vermelho
com medo do que está por vir
nem o espelho a quer refletir

ela queria um céu mais azul
um dia sem cigarros amargurados
vengonha de tudo que havia largado

ela não se sabe, não se vê
ela nem se procura encontrar
tranca suas dores pra não as chorar

quanto tempo ainda tenho?
só precisa descobrir o que está por vir
não quer nas entranhas da terra dormir

Eu não quero, grita ela
tão bela, chorosa e desmantelada
a bela menina despetalada

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Uma taça de vinho

Debruçada num universo criado, uma percepção diferenciada do mundo brinda a minha existência.
Eu agradeço por ser e poder ser, se tem algo de que me orgulho é sorrir.
Eu tenho orgulho de me erguer da cama e olhar pro céu, encantada com a vida.
Como uma criança que caiu do útero do berço e resolveu tentar descobrir o que eram aquelas coisas que a cercavam.
Claro que tem cores que ajudam as retinas a terem mais vontade de olhar o mundo,
mas tantas vezes eu tenho certeza de que posso voltar a ser criança, sem ser de verdade.
Isso é desfrutar da despreocupação da mente infantil e a liberdade adulta de fazer o que quer.
Ahhhh... Chegamos ao ponto crucial... O que quero.
O que a humanidade quer? O que pretendem os homens?
Prefiro me livrar da responsabilidade de responder tal pergunta tão infinita,
eu tantas vezes mudo de vontade, sou tantas mulheres ao mesmo tempo.
Respondam os outros o que querem. Eu nunca vou saber.