segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Sombra

Ela se sentia fora de si, como se a alma e o corpo estivessem brigando e não pudessem mais dividir o mesmo espaço. Ela, mora numa casa de vinhos. Usa um vestido vermelho bem curto e colado no corpo, pó saindo pelas narinas, não aguenta o mundo real... Cabelos negros e desgrenhados, sorriso infantil, olhar perdido. Ela se mata aos poucos, não entende sua própria importância. E as pessoas ao redor a observam e querem ouvi-la. Há também uma torcida constante pra que ela esteja sempre tropeçando em suas próprias pernas. Ela já não sabe se amar. Bebe-se, fuma-se, cheira-se, vai sendo consumida por substâncias venenosas que se instalam nas esquinas de seu corpo e a corroem por dentro. A fumaça espera que ela acenda o cigarro, o vinho grita seu nome, mas ela, como poucas vezes na vida, ignora. Sozinha em sua casa de vinho, ela mergulha num punhal.

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